19 de outubro de 2018
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Estados Unidos registram queda de 18% na detenção de imigrantes ilegais

Estados Unidos registram queda de 18% na detenção de imigrantes ilegais

O número de prisões efetuadas pelos agentes da Alfândega e Patrulha da Fronteira (CBP) na divisa do México foi 18% menor em junho, quando comparado ao mês anterior. O dado representa o registro mais baixo desde fevereiro deste ano, revertendo o aumento durante 4 meses seguidos, segundo informações divulgadas pelo Departamento Nacional de Segurança americano (DHS).

A queda, de acordo com o órgão americano, pode ser um sinal de que a política de “tolerância zero” do presidente americano Donald Trump de acionar criminalmente todos os adultos que entrarem clandestinamente nos Estados Unidos esteja surtindo efeito.

Segundo Clayton Pegoraro, professor de direito internacional da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a diminuição de apreensões na fronteira não é apenas coincidência. “As pessoas estão arriscando menos essa travessia principalmente por causa da possibilidade de serem separados de seus filhos. Eles, obviamente, não querem isso”, disse.

Durante o mês de junho o CBP efetuou 34.057 prisões na fronteira com o país vizinho, já em maio foram 40.344. O número ainda é preliminar, logo, pode ser alterado. Por outro lado, as prisões feitas representam mais que o dobro das 16.077 realizadas em junho de 2017.

Outro dado para fins de comparação é o de detentos menores. Em junho, a quantidade de crianças e adolescentes presos ao tentar entrar nos Estados Unidos de maneira irregular foi de 5.115. Número também inferior ao mês anterior, quando 6.388 menores de idade ficaram retidos na fronteira. A quantidade de famílias também diminuiu entre um mês e outro, de 9.485 para 9.449.

No início de maio deste ano a administração atual informou que processaria qualquer pessoa que tentasse entrar clandestinamente nos Estados Unidos, incluindo adultos acompanhados dos filhos. Outra medida, como forma de desestimular a imigração ilegal, seria separar os menores de seus pais. Este feito gerou comoção internacional e, ao final de junho, Trump decidiu suspender a prática.

De acordo com Clayton, o governo de Trump tem certo histórico de tomar decisões e recuar após ver o impacto gerado. “Ao meu ver, isso não traz nenhuma vantagem para os Estados Unidos”, comentou o professor. Como solução de menor impacto, Clayton afirma que, em seu ponto de vista, Trump poderá futuramente adotar medidas como punir empresas que contratarem imigrantes ilegais.

“Diversos setores, principalmente hoteleiros, dependem dessa mão de obra que vem de fora. Nos Estados Unidos o trabalho que exige uma qualificação técnica menor é, em sua maioria, ocupado por imigrantes ilegais”, comentou.

Para o DHS, mesmo com esse recuo na decisão de separar os pais de seus filhos, o medo tomou conta das famílias, consequentemente diminuindo as tentativas de entradas no país, bem como o número de apreensões. Outro fator que colaborou para desencorajar as pessoas a tentarem passar a fronteira, segundo o órgão, foi o calor potencialmente letal na maior parte da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas.

De acordo com Clayton, questões além do endurecimento das regras de imigração existem, porém, são minoria na diminuição de apreensões. “Certamente falarão que isso tem relação com o câmbio, ações do dólar ou até mesmo o tempo quente, mas, no fundo, está realmente ligado a política de tolerância zero adotada por Trump”, afirmou.




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