20 de julho de 2018
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Ministério Público intercepta carta do PCC sobre ampliação da atuação na Bahia

Ministério Público intercepta carta do PCC sobre ampliação da atuação na Bahia

Em uma carta interceptada pelo Ministério Público de São Paulo da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, supostas lideranças do PCC teriam dito sobre a necessidade da facção criminosa ampliar no número de integrantes no Estado da Bahia.

A carta ainda afirma que os líderes do Primeiro Comando da Capital estão no aguardo de um relatório com informações sobre o BDM (Bonde dos Malucos) — que seria uma facção criminosa baiana. “Temos que se cuidar lá, puxar os trabalhos necessários para trazer a massa para o nosso lado”, disse na carta. A Bahia é um dos alvos do PCC para ampliar sua atuação no país.

A disputa para a compra, transporte e venda de drogas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, por exemplo, já gira praticamente em torno de uma disputa entre a facção e as diversas organizações criminosas locais, que são aliadas do Comando Vermelho.

A denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente, na última quinta-feira (5) descreve situações em que supostos membros do PCC falam sobre a relação com outras facções criminosas.

As investigações iniciaram em março de 2017, pouco depois das rebeliões em presídios da região que resultaram em dezenas de pessoas mortas e evidenciaram a guerra entre as organizações criminosas nos Estados.

No documento do grupo do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), interceptações telefônicas de conversas entre supostos membros do PCC demonstram que as principais aliadas do Primeiro Comando da Capital são as facções Bonde dos 13 (no Acre), Estados Unidos (na Paraíba), Caveira (na Bahia) e Guardiões do Estado (no Ceará).

Os telefonemas também dizem sobre as rivais do PCC, que são aliadas do Comando Vermelho em seus Estados de atuação: Okaida (Paraíba), Sindicato do Crime (Rio Grande do Norte) e a FDN (Família do Norte), que atua nos Estados do Norte do país.

Na denúncia, o promotor afirma que “há tempos o PCC tenta estabelecer-se de maneira mais forte no Amazonas, em razão da localização estratégica do Estado: a divisa com Colômbia e Peru, grandes produtores de cocaína, e uma infinidade de rios e afluentes por onde essa droga pode circular em barcos”.

O tráfico de drogas no Estado, entretanto, é dominado pela facção criminosa Família do Norte — maior aliada do Comando Vermelho. Por causa dessa falta de espaço no Amazonas, a liderança do PCC presa na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (615 km de São Paulo), segundo o MP-SP, “não tem medido esforços em enfrentar os criminosos da FDN”.

A disputa pelo controle do tráfico de drogas nas fronteiras do Amazonas refletiu em mortes nos presídios do Estado. Dois meses antes do início das investigações do Ministério Público, no dia 2 de janeiro de 2017, uma rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, terminou com a morte de 56 presos.

As investigações apontaram que a maioria dos assassinatos foram praticados por membros da Família do Norte vitimando os integrantes do Primeiro Comando da Capital. O crime teria acontecido como uma forma de resposta ao PCC na tentativa de se expandir na região.




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