22 de outubro de 2018
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Centrão escuta propostas de Ciro, mas não bate o martelo

Centrão escuta propostas de Ciro, mas não bate o martelo

Líderes do PP, DEM e PRB ouviram as propostas do presidenciável Ciro Gomes (PDT) neste sábado (14) para fecharem uma aliança. “Ciro Gomes é muito mais atraente”, resumiu um dos líderes ouvidos pela Coluna do Estadão, comparando o discurso do pré-candidato do PDT ao Planalto ao de seu adversário tucano Geraldo Alckmin.

As negociações, porém, ainda vão se arrastar para a próxima semana. Espera-se que Valdemar Costa Neto dê um veredito sobre os rumos do PR na quarta-feira (18), e o bloco volte a se reunir na quinta-feira (19).

Outros possíveis integrantes do grupo, como PHS e PSC, que não estavam na reunião deste sábado, podem se voltar a se encontrar. A única certeza que os líderes tiveram deste último encontro é de que o PP-DEM-PRB-SD está muito propenso a caminhar juntos.

Economia – Ciro se comprometeu em tentar ajustar, no prazo mais curto possível, propostas comuns, principalmente na área econômica, que viabilizem o apoio das legendas a sua candidatura.

Neste sábado, foram realizadas três reuniões, todas na casa de Steinbruch, filiado ao PP. Amigo de Ciro, o empresário já foi cotado para ser vice na chapa do pré-candidato. Na primeira reunião, estavam o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, pelo DEM, e os presidentes do PP, Ciro Nogueira, do Solidariedade, Paulinho da Força, do PRB, Marcos Pereira, do PDT, Carlos Lupi.

Depois Marcos Pereira saiu e o encontro continuou. Em um terceiro momento, Pereira voltou e Paulinho saiu. Todos demonstraram pressa nos acertos e novas reuniões foram marcadas para a semana, quando pretendem ajustar os protótipos de programa econômico.

Os pontos considerados mais importantes a serem “ajustados” entre o bloco e Ciro Gomes são em relação às reformas da Previdência e trabalhista, além das regras para a manutenção do equilíbrio fiscal. Acertaram, então, que Centrão e Ciro elaborarão as suas pautas econômicas e, se possível, ainda nesta semana, vão avaliar os pontos em comum e divergentes, para que cheguem a um discurso unificado, ou o mais próximo possível.

Ao citar as divergências, um dos integrantes do Blocão, lembrou que Ciro Gomes falou em revogar reforma trabalhista aprovada pelo governo de Temer e, no caso da previdenciária, há divergência na forma de como encarar e combater o seu déficit.

Embora o maior partido do grupo seja o PP, as principais resistências ao apoio a Ciro vêm de parte do DEM, na ala comandada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto, e do PRB, que tem à frente o ex-ministro de Temer Marcos Pereira e ainda mantém o domínio sobre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Centrão – O Centrão, que agora também é chamado de “Blocão”, compõe a terceira bancada da Câmara, com 49 deputados, de quatro partidos, todos da base do presidente Michel Temer. O PP é o maior partido do bloco e controla os ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura – com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões -, além de ter o comando da Caixa Econômica Federal.

Temer já avisou aos aliados que não admite que eles apoiem Ciro Gomes, que, recentemente, o chamou de “quadrilheiro” e “ladrão”. As ameaças, externadas pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, no entanto, não tiveram efeito.

Na reunião, os líderes partidários foram unânimes em dizer que, se o governo se estressar, que leve os ministérios e os cargos. Outro participante do encontro afirmou que eles não estão preocupados com a ameaça do governo.

Outros temas que estavam em discussão eram as alianças regionais, a possibilidade de vice na chapa e uma articulação para a eleição da presidência da Câmara a partir de 2019.

Juntos, os partidos do Blocão têm, no mínimo, 4 minutos e 12 segundos por dia no horário eleitoral de rádio e TV, que começa em 31 de agosto. O cálculo feito na reunião é que, se somar isso ao PDT e ao PSB, o tempo sobe para mais de seis minutos. Outra avaliação é que os partidos do Blocão têm palanques importantes, principalmente no Nordeste e no Sudeste Embora o maior partido do grupo seja o PP, a força do DEM pode ser medida pelo comando da Câmara, zona de influência que a sigla quer manter na próxima legislatura.




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