A Prefeitura de Correntina assinou nesta sexta-feira (29) a ordem de serviço para dar início às obras do sistema de esgotamento sanitário do município, com investimento superior a R$12 milhões. A intervenção é considerada um marco histórico e vai enfrentar um dos maiores problemas ambientais da cidade, responsável por comprometer a saúde da população e a preservação do Rio Correntina.
O projeto, aguardado há décadas pela comunidade, vai substituir a antiga bacia de decantação implantada entre 1997 e 2000, durante a gestão do ex-prefeito Ezequiel Barbosa. Na época, adotou-se o modelo de lagoas de estabilização – conhecido como “lagoonação” – que, por falta de manutenção e monitoramento técnico, nunca funcionou como deveria. O resultado foi o acúmulo de esgoto bruto a céu aberto, mau cheiro, proliferação de insetos e a contaminação do Riacho Vermelho e do Rio Correntina.
A estrutura ficou conhecida popularmente como “piscinão de fezes” e foi classificada por diversos grupos como “o maior crime ambiental da cidade”. Por mais de 20 anos, a população conviveu com os impactos dessa herança, sem que gestões anteriores dessem solução ao problema, segundo ressalta o prefeito Mariano Correntina.
“Hoje vivemos um capítulo histórico para Correntina. Estamos colocando um ponto final nesse que foi um dos maiores problemas ambientais do município. Essa obra representa saúde, qualidade de vida e respeito com o nosso povo. O tempo do improviso e do descaso ficou para trás. A partir de agora, Correntina terá um sistema de esgotamento sanitário digno e sustentável”, salientou.
Segundo o prefeito, o valor de R$12 milhões é um recurso do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e estava praticamente perdido, por conta de erros e inadequações no processo em 2024. “Porém em tempo recorde, a equipe de planejamento da atual gestão cumpriu todos os requisitos, resgatou o recurso e garantiu a obra”, destacou Mariano.
De acordo com a Prefeitura, as obras vão atender às normas técnicas modernas e assegurar a preservação do meio ambiente. A expectativa é de que a intervenção impacte diretamente na melhoria da saúde pública, na valorização urbana e na recuperação do Rio Correntina, símbolo da cidade.
“Esse é mais um caso da herança do descaso deixada por administrações passadas. É um símbolo do que nós não queremos que seja repetido, pelo improviso, falta de planejamento e sem manutenção. Nós queremos virar essa página e, por isso, desde o início da nossa gestão, em janeiro, nos debruçamos sobre esse tema para buscar uma solução rápida, eficaz e sustentável”, disse o prefeito.
O empreendimento será financiado com recursos garantidos por meio da ONG Peixe Vivo e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Na primeira fase, a intervenção contemplará mais de 1.800 imóveis, abrangendo o setor central da cidade e áreas estratégicas como o Ranchão, a Praça do Bazu e a região das Sete Ilhas, pontos turísticos e de convivência que sofrem há anos com os impactos da falta de saneamento. A previsão é que a obra tenha duração de 12 a 15 meses.
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