A fala do prefeito de Jequié, Zé Cocá, sobre a falta de creches nos municípios baianos não foi exatamente uma novidade. O problema é que o anunciado vice de ACM Neto resolveu denunciar um déficit histórico justamente quando passou a integrar o grupo político que passou oito anos no comando de Salvador sem resolver a mesma situação. O discurso virou um constrangimento instantâneo para a própria chapa.
O deputado estadual Marcelino Galo (PT) não perdeu a chance de apontar a contradição. Segundo ele, Cocá descreveu um problema real, mas esqueceu de mencionar que a capital administrada por Neto sempre esteve entre as piores do país em oferta de creches. “Ele está certo no diagnóstico. Quem teve a chance de resolver em Salvador foi Neto e não fez nada”.
Galo também lembrou que Salvador aparece de forma recorrente entre as capitais com maior dificuldade de acesso a creches e com atendimento abaixo da média nacional para crianças de 0 a 3 anos. Segundo ele, a declaração do vice de Neto funciona como uma admissão involuntária de um problema que o ex-prefeito de Salvador sempre preferiu fingir que não existia.
Para o parlamentar petista, a fala de Cocá, virou um típico sincericídio. “Ao tentar atacar o governo do estado, Cocá acabou expondo uma das maiores fragilidades de quem agora passa a defender. Enquanto isso, as filas por vagas continuam e milhares de crianças seguem fora da educação infantil — como se nada tivesse acontecido”.
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