“O senador Otto Alencar tem razão ao afirmar que a influência política do prefeito de Jequié, Zé Cocá, é bastante limitada no cenário estadual”. A avaliação é do deputado estadual Marcelino Galo, que realizou um levantamento com base nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para medir o peso político real do gestor e de prefeitos ligados a ele.
O estudo considerou 30 municípios das regiões do Médio Rio de Contas e Vale do Jiquiriçá, apontadas como a principal área de influência de Cocá. Segundo os dados do TSE referentes às eleições municipais de 2024, esse conjunto representa apenas 7,2% das 417 cidades baianas e reúne cerca de 427 mil eleitores — o equivalente a somente 3,8% do eleitorado estadual, estimado em 11,28 milhões.
Dentro desse universo, o levantamento mostra que o PP elegeu diretamente o prefeito em apenas nove municípios: Jequié, Ipiaú, Manoel Vitorino, Aiquara, Dário Meira, Itiruçu, Lafaiete Coutinho, Lajedo do Tabocal e Iramaia. Em outros sete, o partido integrou a coligação vencedora sem liderar a chapa. Há ainda quatro cidades apontadas como aliadas informais, enquanto em dez não foi identificada qualquer relação política.
Os números revelam ainda forte concentração de votos. Dos 125.656 obtidos pelos nove prefeitos eleitos pelo PP, 85.219 vieram apenas de Jequié — 67,8% do total. Nas demais oito cidades, o somatório foi de 40.437 votos, média inferior a cinco mil por município. Em dois casos, as vitórias foram extremamente apertadas, como em Manoel Vitorino, decidida por apenas 26 votos.
Para uma eleição estadual em 2026, o impacto direto desses números é reduzido. Mesmo em um cenário otimista, a mobilização eleitoral ligada a Cocá ficaria entre 120 mil e 180 mil votos, algo entre 1,1% e 1,6% do eleitorado baiano. Os dados do TSE indicam, portanto, que a influência do prefeito existe, mas está restrita a uma microrregião e longe de representar uma força decisiva no estado.
Foto: Divulgação






