6 de junho de 2026
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Brasil, Moçambique, Escócia e Austrália irão debater soluções climáticas em Salvador

Brasil, Moçambique, Escócia e Austrália irão debater soluções climáticas em Salvador

Entre os dias 10 e 16 de junho de 2026, a cidade de Salvador sediará o programa “Troca de Experiências e Boas Práticas pós-Deliberação”, um marco internacional para o projeto Assembleias Cidadãs de Moçambique sobre as Mudanças Climáticas. Iniciada em janeiro, a iniciativa promoveu debates que apontaram diretrizes para o aproveitamento das receitas, provenientes da exploração de recursos naturais, na mitigação dos impactos climáticos.

O evento, organizado pelo projeto GEPRES (Projeto de Gestão de Recursos Públicos para a Prestação de Serviços) do governo moçambicano e pela organização Delibera Brasil, com financiamento do Banco Mundial, reunirá representantes do governo das províncias Cabo Delgado e Tete, de Moçambique, e especialistas internacionais para discutir como transformar recomendações cidadãs em políticas públicas efetivas.

Entre os especialistas internacionais com presença confirmada estão:

Doreen Grove:  lidera a participação do Governo da Escócia na Open Government Partnership, atuando na promoção da transparência, da participação cidadã e da inovação nos serviços públicos. Com formação em arqueologia e história, integrou a Unidade de Estratégia do Governo Escocês durante o período do Referendo de Independência da Escócia, experiência que ampliou sua perspectiva sobre os processos políticos e sociais.

Iain Walker: diretor executivo da newDemocracy Foundation. Especialista em inovação democrática e participação cidadã –  liderou mais de 20 projetos para governos locais e estaduais australianos, abordando temas como planejamento financeiro, políticas públicas complexas e deliberação cidadã. Também foi responsável pelo desenvolvimento do processo de Júri Cidadão para a Yarra Valley Water, em Melbourne.
 
Agenda em Salvador

O encontro acontece em Salvador, na Bahia, para que representantes da cidade apresentem também suas próprias experiências de participação cidadã e planejamento público. As atividades terão como sede principal o Fera Palace Hotel, no Centro Histórico, e se estenderão para a Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

A programação está estruturada para enfrentar o maior desafio das assembleias climáticas: a consistência no acompanhamento das decisões.

10 de junho: discussão sobre desafios e indicadores de sucesso para a implementação das recomendações no contexto moçambicano.

11 de junho: apresentação de experiências reais da Escócia, da Austrália e de municípios brasileiros como Fortaleza, Francisco Morato e a própria Salvador.

12 de junho: mesas para debater a criação de mecanismos de governança e controle social.

15 e 16 de junho: Seminário na Uneb sobre Participação Cidadã, Mudanças Climáticas e Planejamento Público.

O que são as Assembleias Cidadãs de Moçambique?

Iniciado em janeiro de 2026, este projeto inédito liderado pelo Ministério das Finanças de Moçambique busca fortalecer a transparência na gestão das receitas da indústria extrativa. O processo utiliza a democracia deliberativa, onde grupos de cerca de 60 cidadãos, escolhidos por sorteio representativo (garantindo a inclusão de mulheres e grupos vulneráveis), debatem soluções para problemas complexos.

A pergunta central que guia as deliberações é: “Como utilizar as receitas provenientes da exploração de recursos naturais para reforçar a resiliência climática das comunidades?”. O projeto foca na chamada “regra dos 10%”, baseada nas Leis 15/2022 e 16/2022, que destinam essa porcentagem dos impostos de produção mineira e petrolífera para o desenvolvimento local.

Resultados Práticos: Vozes de Cabo Delgado e Tete

O workshop em Salvador analisará os resultados já obtidos nas províncias de Cabo Delgado e Tete.

Em Cabo Delgado, os cidadãos priorizaram 13 ações, incluindo a mecanização agrícola, a construção de unidades sanitárias com maternidades e a criação de sistemas de aviso prévio liderados por jovens.

Em Tete, as 11 recomendações finais destacaram a agricultura de conservação, o uso de energia solar em zonas rurais e a construção de escolas resilientes que sirvam de abrigo em crises.

Foto: Divulgação




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