25 de outubro de 2020
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Série da Netflix inspirada na Lava Jato estreia na sexta-feira

Série da Netflix inspirada na Lava Jato estreia na sexta-feira

“No Brasil, é impossível falar de algum assunto que não tenha corrupção”, disparou o diretor José Padilha sentado de pernas cruzadas. Com um oclinhos de sol redondo – a festa de lançamento no dia anterior havia ido até às três da manhã, ele avisou – e uma boina de ares franceses, ele conversou com a imprensa do Brasil todo durante uma coletiva no Copacabana Palace, no infelizmente movimentado, polêmico e inseguro Rio de Janeiro.

O tema era nada menos do que O Mecanismo, nova série original brasileira da Netflix que estreia para 190 países na próxima sexta-feira, dia 23 de março. O assunto do roteiro? A Operação Lava Jato, que completou quatro anos ontem e sabe-se lá quando terá fim.

Protagonizada por Caroline Abras e Selton Mello, a trama tem como base o livro Lava Jato – O Juíz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil, de Vladimir Netto.

Proposta – O Mecanismo é uma série cujo proposta é simples de compreender: começa em 2003, com a sementinha que culminou na Lava Jato. Mas não é uma produção documental. “Os brasileiros têm sido facilmente embebidos do que a gente lê no jornal todos os dias. A série é uma obra de ficção”, avisa Elena Soarez, criadora e roteirista do seriado. É um produto da dramaturgia: voltado ao drama e à complexidade dos personagens, mas cuja temática são os eventos que se desenrolam até hoje no Brasil.

Com isso, Selton Mello vive o delegado federal Marco Ruffo, um homem atormentado pela desonestidade de Roberto Ibrahim, personagem maravilhosamente interpretado por Enrique Diaz. Na sua obsessão, Ruffo revira sacos de lixo, cola restos de extratos bancários e tenta provar os crimes de lavagem de dinheiro do doleiro.

Nesse contexto, Caroline Abras vive Verena Cardoni, pupila de Ruffo e quem embarca com ele nessa caçada ao que o delegado considera o “câncer” do Brasil. Uma mulher em posição de poder e cuja importância falaremos mais à frente.

O Mecanismo tem marcas evidentes dos outros trabalhos de Padilha: um personagem perturbado no centro da história, fotografia sombria e narrações dramáticas enquanto os eventos vão acontecendo em cena. Já vimos isso antes em Tropa de Elite e Narcos, por exemplo, mas a nova produção tem um tom de revolta tão grande que se assemelha à sensação de roubo e impotência que sentimos frente ao engenhoso mecanismo da política brasileira.

“Esses processos acontecem no Brasil há muito tempo e a gente reconhece”, comenta Elena. “Estamos tratando de uma engrenagem”. Padilha concorda. Cita a tradição de cinema engajado do País desde a Ditadura Militar e fala que O Mecanismo não é diferente. “A corrupção não é um acontecimento fortuito da nossa política. Faz parte da lógica”.




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