24 de fevereiro de 2020
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Roraima realiza três partos de venezuelanas grávidas por dia, diz jornal

Roraima realiza três partos de venezuelanas grávidas por dia, diz jornal

Venezuelanas grávidas estão deixando seu país devido à falta de cuidados pré-natais, remédios e fraldas e cruzando a fronteira com o Brasil para ter o bebê. A estimativa é de que três bebês venezuelanos nasçam no estado de Roraima a cada dia, informa a Folha de São Paulo.

“Meu bebê teria morrido se eu tivesse ficado. Não havia comida, remédios ou médicos”, afirmou Maria Teresa Lopez enquanto alimentava a filha Fabiola, nascida na noite de segunda-feira (20) em uma maternidade em Boa Vista, Roraima.

Lopez, 20, pegou carona por 800 km de sua casa no delta do rio Orinoco até a fronteira com o Brasil, há cinco meses. Ela é uma dos centenas de milhares de venezuelanos que estão fugindo da crise econômica, política e humanitária no país.

O fluxo de venezuelanos sobrecarregou os serviços públicos em Roraima, levando a um aumento do crime, da prostituição, de doenças e de incidentes de xenofobia.

Os nascimentos de bebês venezuelanos na maternidade de Boa Vista aumentou para 566 no ano passado e 571 apenas na primeira metade de 2018, contra um total de 288 em 2016, quando a chegada de venezuelanos começou a crescer, afirmou a secretaria de Saúde de Roraima. Não houve nascimentos em 2015.

A coordenadora de segurança da saúde de Roraima Daniela Souza afirmou que o estado tem apenas uma maternidade, que está atendendo no limite de sua capacidade. Os pacientes estão dormindo em macas nos corredores; seringas, luvas e outros suprimentos estão acabando, disse ela.

“Há 800 pessoas cruzando a fronteira todos os dias, e muitas mulheres e crianças precisam de atendimento médico”, disse.

Segundo ela, o número de venezuelanos atendidos pelos centros médicos do estado cresceu de 700 em 2014 para 50 mil em 2017 e 45 mil apenas nos três primeiros meses deste ano.

Carmen Jimenez, 33, que chegou de Ciudad Bolívar com oito meses de gravidez e deu à luz em Boa Vista, disse estar surpreendida com a quantidade de mães venezuelanas ali.

“Não vou voltar para a Venezuela até que haja comida e remédio e que as ruas estejam seguras novamente”, disse ela, segurando Amalia, de quatro dias de vida.

Lopez disse ter sido bem recebida e que seu marido tem feito bicos de pintura e jardinagem. “Não há nada para nós lá. Não fiz um ultrassom até que cheguei no Brasil, e foi gratuito. Quero ficar.”




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