18 de novembro de 2019
  • :
  • :

Exclusivo: Dayane Pimentel diz que meta do PSL é acabar com hegemonia do PT na Bahia

Exclusivo: Dayane Pimentel diz que meta do PSL é acabar com hegemonia do PT na Bahia

Por Davi Lemos (dvlemos@gmail.com)

A deputada federal eleita Dayane Pimentel (PSL) é a principal liderança do presidente eleito Jair Bolsonaro na Bahia. Nessa entrevista ao NewsBA, a presidente estadual do PSL fala da expectativa para o governo Bolsonaro e adianta também o projeto que o partido tem para cessar a hegemonia petista no estado.

Já de olho nas eleições de 2020, Dayane busca candidatos viáveis, nomes que alavanquem o partido no estado para 2022. Ela diz que, para vencer o PT, o partido pode lançar candidato próprio ou mesmo apoiar outro que siga a mesma linha. Dayane também deixa aberta as portas do partido para o ex-prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, a quem ela já havia feito convite para ingressar no PSL e por quem diz ter admiração pessoal.

Para tirar o PT do governo, ela diz, inclusive, que não rejeitará nomes que pertenceram ao PT nem ao PCdoB. “O nosso trabalho é justamente esse: mudar a ideologia das pessoas”, disse.

Qual a expectativa da senhora em relação ao governo Bolsonaro para o País e aqui para a Bahia também?

Estou bem esperançosa. Estamos trabalhando nessas articulações ministeriais e está sendo um sucesso. Os nomes estão sendo muito bem aceitos, muito bem acolhidos. São pessoas técnicas, dentro de suas respectivas áreas; então estamos com o grau de expectativa lá em cima. Sabemos que, aqui na Bahia, o governo do Estado é esquerdista, foi reeleito, mas isso não vai atrapalhar em nada, pois Bolsonaro tem compromisso com o povo, não com os governos de estado.

Obviamente que quando nos estados estão pessoas nossas, essa comunicação fica mais fácil, mas a efetivação do trabalho não será prejudicada por conta dessa diferença ideológica; pelo contrário, justamente por saber que a Bahia ainda está dentro dessa força é que Bolsonaro vai trabalhar ainda mais para mostrar ao povo baiano que a gente precisa se libertar da esfera ideológica esquerdista.

Ocorre na Bahia algo parecido com o que ocorreu em 2014 quando foi eleita a ex-presidente Dilma Rousseff. Ela dizia que estava tudo bem na economia e depois veio a bomba. Agora, Rui Costa já fala em privatizações; até foi ventilada na imprensa a possibilidade – negada pelo governador – de parcelamento de salários dos servidores. É um cenário que se repete?

Exatamente. Nós só temos que lamentar, pois, apesar de lutar contra esse governo, quem sofre as consequências da má gestão dele é o povo. E nós não queremos os nossos conterrâneos sofrendo. Sabemos que uma família quando está endividada, ela entra em crise em todos os aspectos. Mas como fazer desse momento ruim um momento de reflexão? Dessa forma a gente vai conseguir mostrar que o governo do PT é “expert” em mentir, enganar, ludibriar, e talvez mostrar à população que ela precisa se mover contra o governo do estado: manifestações, quem sabe. Até por que a base do governo do Rui Costa é justamente o funcionalismo público. Se eles perdem a sua base, teremos condições de colocar uma pessoa voltada à direita, que pense como o Bolsonaro, que seja economicamente liberal e conservadora nos costumes.

Na Assembleia Legislativa, a bancada do PSL tem dois nomes. O Capitão Alden e a Talita Oliveira. Como será a atuação desses dois parlamentares? Eles vão se integrar ao restante da oposição, com o DEM e os demais partidos?

Enquanto presidente do PSL, darei direcionamento, mas eles é que vão saber o que vão fazer da vida parlamentar deles. Não vamos mandar, vamos orientar. Não temos a intenção de continuar com correligionários que sigam com ideologia contrária à que a gente defende. Então, eles vão ser donos dos próprios narizes deles. Defendemos as bandeiras de Bolsonaro; poucas pessoas conhecem de fato quem é o Bolsonaro, pouquíssimas têm esse diálogo com ele. Por eu ser essa pessoa dele aqui no Estado, eu posso passar o que temos de visão de política, mas cada um vai cuidar de seu mandato.

Quando eu estiver em Brasília, por exemplo, não vai ser ninguém daqui que vai dizer como vou fazer, mas vou aceitar as sugestões, as dicas; mas cabe a mim, como a cada um deles, decidir o que é o melhor. E o PSL vai ficar atento a essas movimentações e qualquer movimento à esquerda vai ser chamado imediatamente, pois no nosso partido não cabe. Alden e Talita têm condições de levar os mandatos deles adiante.

Em relação à formação do governo Bolsonaro, como está sendo vista a questão dos cargos federais na Bahia? A senhora disse que muita gente agora diz ser bolsonarista.

Há essa necessidade de desaparelhar o estado. Estamos focados nesse momento na transição, nesse início de governo de Bolsonaro. Ele tem nos estados seus representantes, as pessoas que vão ficar à frente disso. Haverá um momento em que ele vai convocar seus representantes para que possam se discutir essas questões dos órgãos; inclusive estamos conversando sobre a questão de diminuir esses cargos, pois onde não houver necessidade não há por que haver aquela função; e preencher (outros cargos) de acordo com a necessidade.

A grande mídia fala muito que a bancada do PSL estaria insatisfeita com o espaço que o DEM tem na formação do governo. Onyx Lorenzonni na Casa Civil, Mandetta na Saúde e Tereza Cristina na Agricultura. Bolsonaro tem dito que são indicações de bancada e não de partido. O que há de verdade sobre isso?

Na verdade, é exatamente isso que o Bolsonaro traz. São pessoas técnicas sobre as quais ele tinha conhecimento, pessoas com quem Bolsonaro já tinha esse diálogo prévio e que, por coincidência, hoje estão no DEM. E isso é um bom sinal. Qual partido no Brasil que poderia estar mais próximo à direita que nós defendíamos? O PSDB é que não poderia, não é verdade? Então essas pessoas buscavam no Democratas essa representatividade e isso fazia com que estivessem próximas do Bolsonaro. Alguns integrantes, alguns correligionários nossos estão um pouco insatisfeitos, mas isso vai passar. Faço parte de um grupo de Bolsonaro que está aqui para acalmar a parte da bancada que está insatisfeita. Bolsonaro já conversou pessoalmente com seus amigos, pois muitos desses, antes de se tornarem deputados, senadores, eram amigos (de Bolsonaro). Então ele foi lá e mostrou suas razões. Estamos acalmando essa parte da bancada e só temos o que comemorar. O PSL tem posição cativa.

Quanto à atuação da senhora. A senhora já tem em vista alguma comissão específica? A senhora fala das questões de educação. Pretende também atuar em outras áreas?

Com toda certeza, quero continuar atuando na educação. Tenho muito interesse, sim, em fazer parte da presidência (da Comissão de Educação), da bancada. Tenho também interesse em outras áreas, mas a educação é o filho querido. A educação será a peça onde estarei precipuamente encaixada.

A senhora já tem ideia de projetos a apresentar?

Sim, tenho muitos projetos. Mas antes de apresentar os meus projetos, sobretudo na educação e na segurança, é imprescindível fazer valer as leis que a gente pretende criar de Bolsonaro, as leis dele. Há uma série de projetos de lei dele que não foram aprovados, que dizem também muito sobre educação e segurança. Aos poucos a gente vai encaixando as nossas próprias autorias. Mas estou ansiosa por isso: a educação precisa de uma grande mudança, reduzir número de alunos por sala, melhorar os salários dos professores, melhorar as condições, trabalhar com planejamento. Há uma gama de bandeiras que eu levando, mas vamos esperar chegar a hora exata para fazer valer isso aí.

Aqui na Bahia, o PSL planeja um crescimento em vista das eleições de 2020?

Já estamos nos movimentando, tem muita liderança vindo falar conosco, buscando contribuir com o partido. Estamos recebendo prefeitos, vice-prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, pessoas que querem contribuir com nosso projeto aqui na Bahia que é também um projeto que visa estagnar essa hegemonia petista. Então a gente está ouvindo todo mundo, vendo quem se encaixa melhor em nosso perfil, quem tem condições reais, pois estamos falando de política local agora; muda muito. A gente sabe que a precisa daquelas pessoas que, politicamente falando, têm condições reais de poder tornar as nossas prefeituras mais direitistas para que a gente possa alcançar o governo lá na frente, seja com candidato próprio ou seja apoiando alguém da a nossa linha. Então a gente precisa levantar agora candidatos a vereador e a prefeito com condições reais de se eleger, contando com nosso apoio, com o apoio da população de cada localidade, para que a gente possa criar um corpo capaz de concorrer às próximas eleições majoritárias a nível de governo, com uma posição melhor colocada. E o pessoal diz: e se fulano for do PT, era do PCdoB e agora está querendo vir? O nosso trabalho é justamente esse: mudar a ideologia das pessoas. O nosso trabalho é conscientizar essas pessoas para que se permitam essa metamorfose. Se tirarmos uma pessoa de uma ideologia e a trouxermos para a nossa, significa que estamos fazendo um trabalho bem feito.

Há algumas semanas foi aventada a possibilidade de a senhora sair candidata em Feira de Santana. Isso pode ocorrer ou é uma decisão para ser tomada só mais à frente?

É só lá na frente, mas as pessoas perguntam tanto que a gente acaba de posicionando. Nada em política, dentro da minha perspectiva bolsonarista de ser, está fora de nosso alcance, está fora de pensamento. Eu sei que sou uma pessoa que Bolsonaro precisa muito lá no Congresso. É por conta inclusive disso que não vou assumir outras pastas, pois ele precisa do time dele lá no Congresso batalhando pelas ideias dele, para que virem novas leis. Mas eu não descarto (concorrer à Prefeitura de Feira de Santana); lá na frente é que a gente vai analisar isso com mais cuidado, dentro das possibilidades. Tudo vai depender de nosso governo, que tem tudo para dar certo; temos que colocar o governo nacional nos trilhos para que, depois, peças que trabalham na engrenagem, como eu faço, comecem a se mover mais para suas localidades. Minha saída agora do cenário nacional para disputar algo local não seria nosso desejo, o desejo do Bolsonaro.

Há possibilidade de o ex-prefeito Zé Ronaldo (DEM), que foi candidato ao governo, filiar-se ao PSL?

Há possibilidade de qualquer pessoa se filiar ao PSL. Basta querer e seguir os princípios que defendemos. O convite que fiz ao Zé Ronaldo é porque eu precisava do auxílio e da força de alguém já experiente na política que me ajudasse a gerir o partido. Na época, quando o convite não foi aceito – e eu compreendo perfeitamente as justificativas do Zé Ronaldo, pois eu sei que ele tem um histórico muito bonito com o Democratas – isso fez com que eu entendesse toda essa formatação partidária. Hoje, ele é uma pessoa para quem há um convite aberto, uma casa aberta, mas ele não é um convidado especial, preterindo a ninguém, é como qualquer outra pessoa que queira estar juntos conosco. Obviamente, com a experiência e a respeitabilidade muito grande que ele traz, com minha admiração pessoal inclusive, estamos de portas abertas. É ele quem decide agora se quer vir.

Acusam o presidente eleito de ser machista, mas foi eleita uma bancada forte de mulheres pelo PSL. A senhora, a Joice Hasselmann, a própria Janaína Paschoal, que foi eleita deputada estadual em São Paulo. São nomes que, com Bolsonaro, conseguiram projeção muito grande. Além do deputado federal eleito Hélio Bolsonaro, o que tira dele também a pecha de racista. O Hélio é amigo dele desde a época do Exército. Como a senhora acha que deve ocorrer o embate com a esquerda diante dessas pechas feitas não só durante as eleições, mas também antes?

Eu venho desconstruindo isso desde que me aliei ao Bolsonaro. Eu sou mulher, sou filha de negros, vim da universidade pública sem precisar de cotas, sou nordestina e estou à frente do partido dele na Bahia. Quando falam de pessoas de Bolsonaro no Nordeste, tirando o Julian Lemos que é o braço forte dele aqui na região, a segunda pessoa é uma mulher. A convite do próprio Bolsonaro, fui escalada para liderar um grupo grande no estado da Bahia, com políticos aqui que nós temos em contato com Bolsonaro na época da vida parlamentar, e Bolsonaro optou por mim. Então isso é fácil desconstruir com a própria prática, pois os fatos falam por si só. Basta a gente contar essa história: não tem nada de machista, não tem nada de misógino, não tem nada de racista. Isso é picuinha inventada pela esquerda para tirar realmente o foco.




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *