17 de junho de 2019
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Equador se prepara para julgar ex-presidente Rafael Correa por corrupção

Equador se prepara para julgar ex-presidente Rafael Correa por corrupção

O Equador prepara o julgamento por corrupção do ex-presidente Rafael Correa, de seu vice, Jorge Glas, e de mais sete exministros e ex-secretários. O jornal O Globo desta segunda-feira (16) informa que esse país de 16 milhões de habitantes, cuja economia tem porte equivalente à do estado do Espírito Santo, foi governado por Correa entre 2007 e 2017.Adimensão do legado de corrupção de Correa surpreende.

O ex-presidente, na década passada, foi um ícone de parte da esquerda que, patrocinada em petrodólares pelo venezuelano Hugo Chávez, propagandeava o breviário bolivariano no cenário político da América do Sul. No Brasil, o governo do PT foi além, com Lula abrindo os cofres do BNDES e privilegiando empresas como a Odebrecht em “parcerias estratégicas” com Chávez e Correa.

Há meses, o Ministério Público do Equador colecionou provas de que a corrupção no governo Correa não foi episódica, mas sistêmica.

Eventuais dúvidas foram dissipadas no início do mês. O presidente Lenín Moreno, que sucedeu a Correa, usou sua mensagem de Ano Novo para fazer uma série de denúncias de corrupção contra Correa, o vice e colaboradores: “Devem pagar, e ser castigados” , insistiu.

Na última quarta-feira, surgiram os resultados de auditorias independentes da Espanha, Estados Unidos e do Reino Unido, supervisionadas pelas Nações Unidas. Em Quito, técnicos e um representante da ONU resumiram com vídeo, fotos e uma apresentação em Powerpoint as 2,5 mil páginas de um relatório sobre pagamentos em excesso de US$ 2,4 bilhões —na maior parte sem justificativas —nas cinco maiores obras do governo Correa (duas refinarias, um terminal marítimo, um sistema de dutos e uma usina de liquefação de gás natural).

Os sobrepreços chegaram a 1.156% nos empreendimentos que o próprio Correa considerava simbólicos da sua administração. Nenhum funciona a plena capacidade. A Odebrecht participou do projeto de uma refinaria que consumiu US$ 1,5 bilhão e não possui infraestrutura para operação. Ergueu um sistema de dutos, ao custo de US$ 600 milhões, que opera a 30% da capacidade por razões estruturais.

Refugiado na Bélgica, Correa tem prisão requerida por outro caso, o do sequestro de um líder opositor em território colombiano. Esse deverá ser o seu primeiro julgamento.

Na sequência prevê-se que vá a juízo por corrupção nos processos que envolvem a Odebrecht e demais casos de obras superfaturadas. Há, ainda, inquéritos sobre propinas em contratos de pré-venda de petróleo à China e no manejo da dívida pública equatoriana.

É o final melancólico da história de um político, cuja paixão desmedida pelo poder fora denunciada desde o início do governo pelo próprio irmão, representante de empresas estrangeiras, como Odebrecht e OAS, ícones no sistema brasileiro de corrupção desvelado pela Lava-Jato.




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