22 de novembro de 2019
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Artigo: Vamos jogar futebol, Baêa! – por João Filisteu da Silva

Artigo: Vamos jogar futebol, Baêa! – por João Filisteu da Silva

Já houve um tempo por essas plagas em que se dizia que as personalidades mais importantes eram o governador do estado e o presidente do Bahia. Se não me engano, ouvia isso lá pelo início dos anos 1970. Nessa época de ditadura militar, cabia ao mandatário estadual até nomear o prefeito da capital.

Já o Bahia ainda vivia a glória de ter sido o primeiro campeão brasileiro. Conquistara a Taça Brasil de 1959, vencendo na final o imbatível time do Santos. O Peixe tinha o Rei Pelé em ascensão profissional, campeão mundial pela Seleção, na Suécia, em 1958.

O presidente do Bahia não nomeava prefeito, mas ajudava muita gente a se eleger. Tinha cartola tricolor que fazia a campanha de deputado pelo interior, levando o time para jogar nos cafundós do judas atrás dos votos.

Será que alguém ainda se lembra de “O Bem Amado”, novela de Dias Gomes, exibida às 10 da noite, a primeira da Globo em cores? Então, numa das esperadas inaugurações do cemitério de Sucupira, adivinhe quem foi a atração: o Esporte Clube Bahia.

Ainda hoje remanesce em minha lembrança a imagem do goleiraço argentino Carlos Buttice e de outros integrantes do Esquadrão de Aço no hilário folhetim noturno do baiano Dias Gomes. O Bahia estava lá, mas o cemitério não inaugurou, porque o defunto não apareceu para ser enterrado. Era 1973.

Já se vão mais de 45 anos que Buttice pegava no Bahia e “O Bem Amado” ia pro ar com as estórias de Odorico Paraguaçu, as Irmãs Cajazeiras, Dirceu Borboleta e cia. Hoje, quando o Brasil já foi redemocratizado, não compete mais ao governador nomear o prefeito da capital, agora eleito pelos seus cidadãos.

Mas a boa fase do Bahia, que volta a encantar a sua apaixonada nação tricolor, parece que vem estimulando o uso do tricolor como trampolim político. Só posso alertar que, se o objetivo for a prefeitura, a história não recomenda a tentativa.

A turma jovem que assumiu o comando do Esquadrão indiscutivelmente vem realizando um excelente trabalho na gestão do clube, que finalmente dá sinais de ter dado um basta na gangorra do sobe e desce no Brasileirão. A estabilidade administrativa se reflete na performance do time.

Pra que misturar o futebol com a política? Talvez a galera nova desconheça a história do presidente Osório Vilas Boas, que dirigia o Bahia quando o Esquadrão conquistou a Taça Brasil, tornando-se o primeiro campeão brasileiro e o primeiro representante do Brasil na Libertadores das Américas.

É bom registrar que o atual presidente tricolor, o simpático Guilherme Bellintani, que dizem estaria almejando o Palácio Thomé de Souza, ainda não tem nenhum título nacional. Pois Osório foi o primeiro campeão brasileiro e diante do Santos, uma verdadeira Seleção.

Uma coisa não se pode negar: Bellintani é mais bem afeiçoado que Osório, que, em razão de sua feiura, era chamado de Lobisomem. Naquele ano de 1963, no entanto, Osório era o presidente do Bahia que conquistara o primeiro título nacional. Era popularíssimo e já tinha enveredado pela política também, antes da candidatura a prefeito.

Osório ainda teve a consultoria de um baiano que, possivelmente, foi o primeiro marqueteiro político do Brasil: João Dória. É de autoria do pai do atual governador de São Paulo o slogan do então presidente do Bahia: “Osório e o povo contra o resto”.

Dória foi o introdutor na política de diversas técnicas de marketing. Publicitário bem-sucedido em São Paulo, foi dele a ideia da criação do “Dia dos Namorados” no Brasil para estimular as vendas no comércio. Usou seus conhecimentos em prol dele próprio também. Elegeu-se deputado federal pela Bahia em 1962.

A glória tricolor alcançada pelo então presidente do Bahia, primeiro campeão brasileiro de futebol, Osório Vilas Boas, acabou não resultando nos votos esperados. Ele foi derrotado nas urnas para Virgildásio Senna, que seria cassado pelo golpe militar. Ao Lobisomen restou posteriormente a eleição para mandatos no Poder Legislativo.

Talvez essa seja a alternativa para o nosso Bellintani. Mas antes ele precisa liderar o nosso Esquadrão na conquista de um novo título nacional. No ano que vem, o melhor para o nosso atual presidente tricolor é ser reeleito para gritarmos juntos brevemente: “Mais um Bahia, Mais um título de glória!!!”.




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