22 de novembro de 2019
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Dom Murilo Krieger lança campanha pela restauração da Galeota Gratidão do Povo

Dom Murilo Krieger lança campanha pela restauração da Galeota Gratidão do Povo

Com o objetivo de restaurar a Galeota Gratidão do Povo, a Arquidiocese de Salvador está com uma campanha para a arrecadação de recursos. A iniciativa foi apresentada na manhã desta quarta-feira (30), durante coletiva de imprensa realizada na sede da Devoção Senhor Bom Jesus dos Navegantes e Nossa Senhora da Boa Viagem, em Salvador.

A abertura da coletiva aconteceu com uma breve oração na Matriz. Em seguida, Dom Murilo Krieger se dirigiu até o galpão onde está a galeota para, simbolicamente, martelar o primeiro prego na embarcação. “Eu vejo essa galeota como uma expressão de uma fé singular, primeiro porque a procissão é várias vezes secular; depois porque é um símbolo. Na vida humana, nós precisamos de símbolos; nós vivemos com riquíssimos símbolos e todo aquele sentido de olhar a travessia do mar como a travessia da vida é realmente um símbolo muito forte. A Irmandade aqui tem procurado manter esta tradição, mas com dificuldades”, disse o Arcebispo aos jornalistas.

Na ocasião, estiveram presentes o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger; o pároco da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, padre Davi Oliveira dos Santos; presidente da Devoção, Expedito Sacramento; o presidente da Comissão Especial para Restauro da Galeota, padre Aderbal Galvão de Sousa; o comandante da Capitania dos Portos da Bahia, Márcio Amaral; e a presidente da Fundação Mário Leal, Tania Scofield. “Quando, no ano passado, fui informado pela Irmandade que não haveria a possibilidade de usar a galeota, porque não estava dentro da garantia de segurança, eu percebi, logo quando o povo foi tomando consciência, a dor profunda sentida por isso. Mesmo assim, a procissão foi realizada com a ajuda da Marinha. Mas eu vi que ficou no coração do povo aquele sentimento de vazio e aí em 2019 começamos este projeto. Mas eu disse: quem vai ter que restaurar é o povo, não importa com quanto, se com centavos ou real”, afirmou Dom Murilo.

De acordo com o Arcebispo, para que a galeota pudesse estar completamente restaurada em dezembro deste ano, o trabalho teve início em julho. “Uma restauração dessa leva, praticamente, meio ano. Nós não podíamos começar antes essa campanha porque a cidade e o estado estavam envolvidos com a canonização de Irmã Dulce, que foi um belo desafio e que muito nos agradou enfrenta-lo. Pensamos, então, em deixar passar a canonização, mas o trabalho precisava ter início. Foi então que contraímos um empréstimo e agora precisamos pagar este empréstimo. Mas eu tenho certeza que a resposta do povo será generosa como foi em 1892, como foi das outras vezes”, disse.

O projeto está dividido em três etapas e, na primeira, tem como meta recuperar, até dezembro deste ano, a tradicional embarcação que desde 1892 conduz a imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes em 31 de dezembro e em 1° de janeiro. Neste período – 127 anos – este foi o primeiro ano que a galeota não fez parte dos festejos. “A galeota é um projeto de imediato, mas nós precisamos também da garantia de que o povo vai ajudar agora a restaurar a galeota. Contamos com o apoio da Marinha, que está totalmente à disposição”, afirmou o padre Aderbal.

“Eu tenho esse privilégio de estar como capitão dos Portos da Bahia e de garantir a segurança da população no mar. A Marinha está totalmente integrada com esta procissão, que é uma parte da nossa capitania. Realmente foi uma pena, no ano passado, a galeota não poder ter participado, mas nós trabalhando sempre com muita responsabilidade e em prol da segurança. Nós tivemos a sensibilidade de estar juntos com a Arquidiocese nessa iniciativa maravilhosa de manter esta tradição do povo baiano”, afirmou o capitão Amaral.

Complementar ao restauro da galeota e em paralelo com ela, será desenvolvido o projeto para requalificação do atual espaço destinado ao abrigo da galeota, com um moderno estaleiro multiuso, com o apoio da Fundação Mário Leal. O propósito é a conservação da embarcação, que deverá ficar em um dique molhado com vista para o Largo da Boa Viagem, através de uma vitrine (parede de vidro) constituindo-se em efetiva atração turística. Por este viés virá a manutenção sustentada da tradição. A Fundação Mário Leal, da Prefeitura do Salvador, autora e executora do projeto de recuperação da Praça da Boa Viagem e do Caminho da Fé, abraçou esta ideia em 19 de julho 2019, comprometendo-se com a execução do projeto arquitetônico do novo estaleiro a ser iniciado a partir do cadastramento das áreas a ser realizado.

O estaleiro, além do dique molhado, terá as seguintes características: fácil acesso ao público, área para exposição dos equipamentos complementares ao barco (remos, alfaias e outros), memorial da tradição religiosa (Igreja, procissão, galeota e Irmandade), atraente área de convivência, área para receptivos de casamentos realizados na igreja, espaço para a administração e áreas de serviços. “É uma alegria para a Prefeitura participar deste esforço conjunto de restaurar a galeota e deste projeto que vai abrigar a galeota. A prefeitura faz parte deste esforço, junto com todos os moradores desta cidade, soteropolitanos ou não”, disse Tania Scofield.

Para o padre Davi, pároco da Boa Viagem, o momento é de muita alegria. “Aqui na nossa paróquia nós estamos felizes por esse momento em que nós vemos a nossa Igreja e a sociedade como um todo abraçando a causa do Senhor Bom Jesus dos Navegantes. É um momento de muita esperança não somente para a nossa paróquia ou para a Devoção do Bom Jesus, mas também para toda a Cidade Baixa, para os moradores da península itapagipana. Nós estamos cheios de esperança e agradecemos ao nosso Arcebispo Dom Murilo que abraçou este projeto, e também a todos aqueles que abraçaram a causa”, afirmou.

A campanha – A campanha está focada em doação financeira, de qualquer valor, a partir de um centavo (R$0,01), incentivada com a entrega de um certificado denominado “Preito de Gratidão”. As doações serão feitas em nome da Fundação Dom Avelar nos seguintes bancos: Caixa Econômica Federal – Agência: 1032; Operação: 003; Conta Corrente: 2476-9 / Banco Bradesco – Agência: 3072; Conta Corrente: 8583-9 / Banco do Brasil – Agência: 2967-X; Conta Corrente: 10-8. Quem desejar poderá utilizar o PayPal no site www.gratidaodopovo.com.br.

Outra linha de arrecadação volta-se para ações de marketing direto direcionado a paróquias, comunidades católicas, associações e outras instituições. Neste segmento, haverá possibilidade de arrecadação direta, em espécie ou por cartão de crédito. As contribuições em espécie serão recolhidas em caixas lacradas e recolhidas ao banco após a coleta.

O material gráfico de apoio a esta linha será: banner, folder motivacional da campanha como contribuir (contas bancárias e Internet). Outra linha de captação será a venda da foto do doador montada sobre o painel com a imagem da galeota, esta ação depende de parcerias com shoppings centers e outros pontos de grande convergência popular. O incentivo a doações de maior valor, acima de R$500, será feito através do direito de uso do SELO RESPONSABILIDADE SOCIAL, PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DA BAHIA, GRATIDÃO DO POVO, EU CONTRIBUÍ, que garantirá ao adquirente o direito de usar o do selo por um ano (contrato próprio). Neste caso o doador receberá cumulativamente o Preito de Gratidão e o Selo de Responsabilidade Social.

Em breve, também deverá ter início a restauração da Matriz da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, construída em 1741. O projeto, que já está sob os cuidados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), está sendo acompanhado pela Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

História – Apesar da procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes ter sido iniciada há 178 anos (1841), a Galeota Gratidão do Povo começou a fazer parte da solenidade a partir de 1892, portanto há 127 anos. A história da embarcação teve início quando a Galeota Imperial, que desde os meados do século XIX conduzia a imagem do Bom Jesus dos Navegantes na procissão, foi impedida de participar e os organizadores, para não quebrar a tradição, providenciaram outra embarcação, substituindo a Galeota Imperial. Inconformados com aquela situação juntaram-se os carpinteiros navais João Francisco da Maia, Manoel Antônio Dias e João Ricardo Borges, no esforço de construir a Galeota Gratidão do Povo, a ser financiada por doações populares e o trabalho voluntário de grande número de pessoas. A galeota foi ao mar em 27 de dezembro de 1891, com as bênçãos do Cônego Ludgero dos Humildes Pacheco.

A Galeota Gratidão do Povo, portanto, representa um patrimônio de fé e compromisso do povo baiano, há 127 anos. Ela lidera a tradicional procissão do Senhor Bom Jesus dos Navegantes que anuncia o ano novo, trazendo fé e esperança. Na tradição, a embarcação passa a noite de 31 de dezembro ancorada no porto, após conduzir a imagem do Senhor Bom Jesus dos Navegantes para o cais, no Comércio, de onde a imagem segue em procissão terrestre até a Basílica Santuário Nossa Senhora Conceição da Praia. No dia primeiro do ano retorna com a imagem do Bom Senhor dos Navegantes a bordo para a praia da Boa Viagem, em cujo percurso é seguido por centenas de embarcações numa grandiosa procissão pela Baía de Todos os Santos.

Durante todo o ano a Galeota fica guardada no galpão ao lado da Matriz da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem. A Irmandade Devoção do Senhor Bom Jesus dos Navegantes e de Nossa Senhora da Boa Viagem é a responsável pela guarda e manutenção da embarcação, motivo de dedicação e orgulho dessa associação que de forma abnegada e perseverante zela pela integridade material e simbólica da “Gratidão do Povo”.

Texto e foto: Pascom/Arquidiocese de Salvador




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