10 de dezembro de 2019
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Após duas décadas, Palácio da Sé será reaberto em Salvador

Após duas décadas, Palácio da Sé será reaberto em Salvador

A imponência do antigo Palácio Arquiepiscopal da Sé, morada de bispos e arcebispos, e também Centro Administrativo e Pastoral da Igreja Católica no Brasil por mais de 100 anos, voltará a fazer parte da vida da capital baiana.

Depois de duas décadas fechado, o Palácio da Sé, localizado no Centro Histórico de Salvador, reabrirá suas portas na próxima sexta-feira, dia 06 de dezembro, às 18h, para contar os quase quinhentos anos da história da Igreja Católica no Brasil; história esta que se confunde com o processo de ocupação e colonização do país, e da formação de nosso povo.

O prédio, construído do século XVIII, e reconhecido como patrimônio do povo brasileiro, agora restaurado, será transformado em um Centro de Referência da História da Igreja Católica no Brasil e abrigará exposições permanente e eventual, estabelecendo uma nova área social e cultural na cidade, contribuindo assim para o fortalecimento da revitalização do Centro Histórico de Salvador.

“O Palácio da Sé é uma referência na história da Igreja de Salvador, afinal desde o começo do século XVIII ele serviu aos bispos, serviu a vários arcebispos e foi também um centro da pastoral da Arquidiocese. A sua restauração é uma homenagem que nós prestamos à Arquidiocese e, particularmente, à Bahia porquê desse Palácio saíram determinações, ordens e também orientações pastorais para todo o Estado da Bahia”, afirma o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger.

O processo de restauração durou cinco anos, sob o comando do IDH (Instituto do Desenvolvimento Humano) e, por último, pelo padre Abel Pinheiro, presidente do Centro Cultural Palácio da Sé. “Foi um trabalho exaustivo, mas o cansaço do árduo trabalho se transforma em imensa alegria ao ver este grande patrimônio voltar a ficar à disposição do nosso povo”, disse o padre Abel. Neste período, padre Abel, auxiliado pelo padre Luís Simões, contou com uma equipe de voluntários, referências nas suas atividades, como o engenheiro Thales Azevedo, o arquiteto Luiz Humberto Carvalho e a engenheira Ângela Márcia Andrade, entre outros.

No térreo do Palácio, haverá uma área disponível para exposições itinerantes e realização de eventos corporativos, permitindo a sustentabilidade do local. O espaço será inaugurado com uma exposição de presépios da coleção particular do engenheiro e arquiteto Celso Basto de Oliva. Este acervo começou a ser montado em 1948, pelo seu pai, que mantinha a tradição em montar presépios e decorava-os utilizando diversos materiais, entre eles: papel, panos, vela, terracota, cristal e pedra-sabão. Haverá ainda uma exposição de móveis dos séculos XVII e XVIII com curadoria do antiquário Sérgio Caloula.

O primeiro pavimento do Palácio contará com a exposição permanente “A Igreja e a formação do Brasil”, composta de acervo próprio e bens históricos remanescentes de outros prédios religiosos, como a antiga Catedral da Sé, que fora demolida em 1933 para dar lugar a atual Praça da Sé.

Também haverá a sala do Laboratório de Conservação e Restauração Reitor Eugênio Veiga (LEV), que irá expor importantes documentos históricos restaurados. O laboratório, que atualmente se encontra na Universidade Católica do Salvador (UCSal) – Campus da Federação, tem como missão restaurar, preservar, pesquisar e difundir o acervo documental da Igreja Católica no Brasil. O acervo conta com mais de 16 mil documentos, entre os restaurados e não restaurados.

Já no segundo pavimento funcionará o Centro Administrativo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Nesta área o prédio conta no seu acervo permanente o arcaz da antiga Igreja da Sé, a galeria dos Bispos e Arcebispos da Bahia e Primazes do Brasil e haverá um espaço especialmente dedicado ao Arcebispo Sebastião Monteiro da Vide, responsável pela construção do Palácio. Além disso, no local acontecerão atendimentos e audiências do arcebispo, bem como secretarias da administração da Arquidiocese, uma capela episcopal, uma biblioteca e uma sala de conferência. “Que Deus abençoe este momento de reabertura do Palácio da Sé, para que ele continue servindo não só a Igreja, mas a toda a sociedade baiana e brasileira”, assevera Dom Murilo.

Texto: Sara Gomes/Pascom
Fotos: Diogo Saback/Pascom




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