20 de setembro de 2020
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Lava Jato rastreia propina da obra da Torre Pituba, diz colunista

Lava Jato rastreia propina da obra da Torre Pituba, diz colunista

A força-tarefa da Lava Jato no Paraná concentrou esforços para rastrear o fluxo financeiro da Mendes Pinto Engenharia, empresa mineira suspeita de operar propina referente à construção da Torre Pituba, megaempreendimento que abrigou até outubro passado a sede da Petrobras no estado.

Segundo apurou o jornalista Jairo Costa Júnior da Coluna Satélite, o interesse do Ministério Público Federal (MPF) sobre a Mendes Pinto cresceu após as novas delações firmadas por três alvos da 56ª fase da Lava Jato, a Operação Sem Fundos, deflagrada em novembro de 2018. Entre eles, Marcos Felipe Mendes Pinto, herdeiro da empresa e, de acordo com o MPF, responsável por parte dos repasses destinados a petistas baianos e dirigentes do fundo de pensão da estatal (Petros), que bancou a obra.

Baú aberto – Filho do empresário Paulo Afonso Mendes Pinto, já morto, Marcos Felipe revelou detalhes sobre a distribuição de valores a partir de 2010 e nomes de supostos emissários, além de datas e locais de encontros para entrega de dinheiro, tarefa coordenada pelo próprio pai.

Banco clandestino – Instalada em um cubículo no centro de Belo Horizonte, a Mendes Pintos Engenharia venceu a licitação para gerenciar a obra por R$ 69 milhões, mas depoimentos e indícios coletados pela Lava Jato apontam que se tratava de um contrato de fachada.

Para a força-tarefa, o negócio foi firmado apenas com objetivo de triangular repasses ilícitos desviados por meio do superfaturamento do edifício de 22 andares, estacionamento com 2,6 mil vagas e heliponto, onde foram investidos mais de R$ 1 bilhão em recursos do Petros. Os novos delatores confirmaram ao MPF que 10% do contrato – R$ 6,9 milhões – foram divididos igualitariamente entre o PT da Bahia, o comitê nacional do partido e dirigentes da Petrobras e do fundo de pensão da estatal, conforme documentos divulgados ontem pelo site O Antagonista.

Caça ao tesouro – No núcleo da força-tarefa da Lava Jato, a ordem é vasculhar toda a movimentação fiscal e bancária da Mendes Pinto e de pessoas ligadas a ela. Ao mesmo tempo, investigadores da PF e do MPF também começaram a se debruçar sobre pistas capazes de levar à descoberta de eventuais empresas usadas para ocultar e lavar dinheiro supostamente obtido de maneira ilícita.




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