2 de julho de 2020
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Artigo “Transformar a quarentena do coronavírus em Quaresma” – por José Lopes

Artigo “Transformar a quarentena do coronavírus em Quaresma” – por José Lopes

A Quarta-feira de Cinzas de 2020, dia que marcou o início da Quaresma (período de 40 dias que antecede a Páscoa para os cristãos), começou normal no Brasil – católicos nas igrejas lembrando que somos pó e ao pó voltaremos, a CNBB lançando a Campanha da Fraternidade 2020 inspirada em Santa Dulce dos Pobres, arrastão de trios na Barra, etc – até que o Ministério da Saúde marcou uma coletiva de imprensa para confirmar a chegada do primeiro caso de covid-19, a infecção por coronavírus, em nosso País: um senhor de 61 anos que estava na Itália e que viajou para São Paulo quando ainda não apresentava febre, tosse ou dificuldade para respirar.

Graças a Deus, o caso não é para pânico, mas serve de alerta. Pelas consequencias provocadas pelo coronavírus em outros países, a exemplo do cancelamento das aulas nas escolas e faculdades, suspensão do transporte coletivo (ônibus e metrô), suspensão de eventos culturais, esportivos e religiosos, queda nas bolsas de valores de todo o mundo, queda no preço do petróleo – só o dólar insiste em subir -, cancelamento das peregrinações a Meca e Medina pelos muçulmanos, enfim, por mandar as pessoas pararem tudo e ficarem em suas casas, a mensagem do coronavírus é clara: fique em casa se não quiser adoecer.

Em todo o mundo, devido ao coronavírus, as pessoas estão tendo uma oportunidade forçada, estão recebendo uma ordem para não sair de suas casas. Mas o que isso impacta nas nossas consciências?

Muitos cristãos – assim como este jornalista que vos escreve – acreditam que Nosso Senhor nos fala através das coincidências. Se isso é verdade, qual a mensagem que Ele quer nos passar com a confirmação da chegada do coronavírus no Brasil exatamente no início da Quaresma?

É apenas uma oportunidade para melhorarmos hábitos de higiene – sempre lavar as mãos ou usar álcool em gel, sem esquecer da máscara de proteção? Ou para revermos como estamos cuidando das nossas vidas, da nossa família, da nossa cidade, do nosso País e da nossa casa comum, a Terra?

Cristo passou 40 dias em jejum no deserto enfrentando as tentações do inimigo e o venceu, assim como venceu a morte e venceu o mundo. Quaresma e quarentena também são períodos de 40 dias. Quaresma é tempo para o cristão buscar o “deserto” e vencer a si mesmo por meio do jejum, da oração, da caridade, da solidariedade e da fé para lembrar que Cristo deu a vida por nós. Quarentena é tempo para a pessoa ficar em resguardo e não adoecer.

Dizem que para bom entendedor, meia palavra basta. Mesmo assim, arrisco uma interpretação: talvez a desaceleração da economia mundial provocada pelo coronavírus seja uma oportunidade clara que Deus esteja nos concedendo para transformarmos a “quarentena do coronavírus” em Quaresma.

Existem mais algumas coincidências nesta história: a primeira é que sou devoto de um santo pouco conhecido, mas sempre lembrado em tempos de epidemia pelos católicos de Salvador, São Francisco Xavier, que por acaso vem a ser o Padroeiro da Primeira Capital do Brasil.

Em Salvador, que homenageia seu Padroeiro no dia 10 de maio, dizem que os milagres mais conhecidos de São Francisco Xavier foram livramentos de duas epidemias: a de febre amarela em 1686 e a de cólera em 1855.

Outra coincidência é que São Francisco Xavier, conhecido ainda em vida como Apóstolo do Oriente, queria fazer do mundo uma só família em Cristo e morreu tentando evangelizar a China que, por acaso, é o epicentro desta epidemia de coronavírus.

Pouco merecedor de qualquer benefício para mim, peço a Deus, pela intercessão de São Francisco Xavier, que livre a população de Salvador e, se não for pedir muito, todos os brasileiros de mais esta epidemia. Se esta graça for atendida, que os católicos soteropolitanos coloquem mais este milagre na conta do nosso Padroeiro. Amém.

José Lopes é jornalista.




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