30 de março de 2020
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Voluntários retiram duas toneladas de óleo da Praia de Itacimirim

Voluntários retiram duas toneladas de óleo da Praia de Itacimirim

As duas toneladas de petróleo retiradas por voluntários na praia da Espera, em Itacimirim, na região de Camaçari, no domingo, 1º, são parte do óleo que chegou ano passado às praias do litoral baiano. A substância ainda é encontrada em corais ou sob a areia. De acordo com a Marinha do Brasil (MB), o último registro de aparecimento foi em 30 de dezembro de 2019 no município de Canavieiras.

O grupo voluntário Guardiões do Litoral identificou a substância após vistoria feita entre as praias do Forte e Busca Vida, na região metropolitana.

“Acreditamos que ainda tenha quatro toneladas de óleo para ser retiradas. Precisamos de uma força-tarefa dos órgãos públicos para uma limpeza rápida e efetiva”, relatou a voluntária Karina Morgade, 28 anos.

Sem surpresa – Gilvan Souza, secretário de Turismo do município, explicou que não há registros de novo aparecimento da substância nos 42 km de costa e que já era esperado o surgimento do óleo. “O que temos aí é o passivo que sabíamos que ia ficar para os municípios e para o estado. Nós temos óleo incrustado nos corais, temos óleo no movimento da areia, ainda podemos ver partículas de óleo que ficou e vamos retirando à proporção que vai aparecendo”, disse.

O secretário informou ainda que há um mesa unificada com representantes de vários órgãos pensando soluções para o problema e que o município está aguardando orientação técnica de como agir com a substância nos corais. “Podemos estar cometendo um crime se usarmos ferramentas no coral. Precisamos de uma orientação mais técnica e científica de como manipular o que está nos corais”, disse. A MB informou que continua monitorando e que não há registro de aparecimento.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), por meio da assessoria de imprensa, informou que orientações sobre esse manejo são de responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por se tratar de competência federal. Procurado, o órgão não respondeu até o fechamento desta edição.

Alerta – O biólogo Maurício Cardim explica que, com as mudanças da maré, a substância grudou nos corais e, em seguida, foi encoberta pela areia. Com o tempo, essa areia começou a se movimentar descobrindo os corais. “Estamos estimando mais de seis toneladas de óleo, quase 100 metros de área poluída”, contou.

De acordo com Cardim, que além de atuar nos Guardiões do Litoral é morador de Itacimirim, é necessário que se tente remover o máximo possível das substâncias. “Estamos falando de toneladas que estão ali e devem demorar mais de cinco décadas para dissolver. São mais de 20 tipos de hidrocarboneto, trata-se de uma praia frequentada por crianças e famílias. Acho um grande descaso deixar aquele material ali disseminando poluição e prejudicando a cadeia alimentar”, concluiu.




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