20 de janeiro de 2021
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China condena jornalista à prisão por filmar pandemia em Wuhan

China condena jornalista à prisão por filmar pandemia em Wuhan

Na China, uma jornalista foi condenada a quatro anos de prisão por filmar o começo da pandemia na cidade de Wuhan, epicentro da disseminação da Covid-19.

Logo no começo de tudo, Zhang Zhan saiu de Xangai, onde morava, e foi para Wuhan. Lá, conseguiu registrar cenas de hospitais lotados, confusão nas ruas, e depois a cidade deserta no primeiro lockdown no lugar onde a pandemia começou. Foram meses de trabalho. Mas tudo acabou em maio, logo depois de um vídeo.

Zhang Zhan filmou as ruas de um bairro onde surgiram casos de Covid-19. De repente, ela é abordada por um homem que pergunta onde ela mora e se é jornalista. E ameaça: se você postar isso na internet, vai ser responsabilizada. Dias depois, foi detida e, nesta segunda (28), condenada a quatro anos de prisão.

A sentença afirma que ela estava comprando briga e provocando problemas. Termos geralmente usados contra quem diz o que as autoridades não querem ouvir.

Zhang é advogada de formação. Mas na pandemia se tornou uma jornalista-cidadã, que é como são chamados os jornalistas que atuam de forma independente na China. Frequentemente são censurados e presos.

Zhang é uma de pelo menos quatro jornalistas que desapareceram em 2020 na China depois que postaram informações que contradizem a narrativa oficial.

Mas não são só jornalistas na mira da censura. No dia 31 de dezembro de 2019, o médico chinês Li Wenliang compartilhou em um grupo de colegas um alerta sobre um vírus até então não identificado, que seria altamente contagioso. As autoridades o acusaram de espalhar boato e o obrigaram a assinar um documento em que reconhecia ter cometido uma ilegalidade. Ele morreu de Covid no dia 6 de fevereiro. Virou uma espécie de mártir, e o governo chinês teve que voltar atrás. Agradeceu e reconheceu a contribuição do médico na linha de frente do combate a pandemia.

Sobre a condenação da jornalista, o ministro das Relações Exteriores chinês disse nesta segunda que os órgãos judiciais chineses têm tratado casos consistentemente de acordo com a lei.




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