26 de outubro de 2021
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Guedes diz que não há conflito de interesse em manter “offshore” em paraíso fiscal

Guedes diz que não há conflito de interesse em manter “offshore” em paraíso fiscal

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira (8) que a empresa que possui nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal, está dentro da legalidade. Em transmissão vivo na internet, promovida por uma instituição financeira, ele acrescentou que não há conflito de interesses, pois deixou a empresa antes de ingressar no governo.

Guedes não foi perguntado sobre o assunto, mas decidiu falar sobre a participação em uma offshore no exterior.

“Sobre ‘offshore’, elas são legais. Ela foi declarada, não houve movimento cruzando as fronteiras, trazendo dinheiro do exterior ou mandando dinheiro ao exterior. Desde que eu coloquei dinheiro lá, em 2014/2015, eu declarei legalmente”, disse o ministro.

Offshore é uma palavra que significa, em tradução livre, ‘além da costa’ – algo que está fora do território de um país. No caso das empresas, ele é dado a uma companhia aberta por pessoas ou outras empresas em um país diferente daquele em que se residem.

De acordo com Guedes, os recursos depositados no exterior estão com administradores independentes “em jurisdições nas quais minhas ações não tem influência de jeito nenhum”. “Eu saí da companhia dias antes de vir aqui [ao governo], eu dei todos documentos”, acrescentou.

O ministro da Economia declarou, ainda, que perdeu dinheiro ao ingressar no governo, pois vendeu seu patrimônio adquirido no setor privado.

“Quando construí maravilhosos projetos para o Brasil em educação, saúde. Eu vendi tudo em investimentos sabendo que eu estaria coletando agora. Perdi muito dinheiro vindo aqui [ao governo] para evitar problemas. Tudo que estava nas minhas mãos, que eu estava investindo, eu vendi ao preço do investimento”, disse.

Paulo Guedes atribuiu os ataques que vem sofrendo por conta de seus investimentos no exterior ao “barulho político”, que, segundo ele, vai se intensificar com a proximidade das eleições presidenciais, marcadas para 2022.

“O resto é barulho, barulho e barulho e eu acho que vai piorar pois caminhamos para as eleições. Ataques pessoais (…) Todo mundo está limpo, todo mundo está legal, tudo está declarado. Apesar disso, o barulho não está parando”, concluiu.

Inflação e PIB – O ministro da Economia também afirmou que a inflação está subindo no mundo todo, não apenas no Brasil. “Países que tinham zero [de inflação], agora estão em 4%, 5%. Países que tinham 4%, 5%, agora estão em 8%, 9%. Isso acontece, mas tem de haver resposta política”, declarou.

Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou de 0,87% em agosto para 1,16% em setembro. Em 12 meses, atingiu 10,25%.

Segundo Guedes, o Banco Central é o “gato” para perseguir o “rato” da inflação.

De acordo com levantamento do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), mais da metade da inflação neste ano é resultado da disparada dos combustíveis, energia e carne. Esses estão entre os itens que mais têm pesado no bolso do brasileiro e na inflação.

Além dos preços desses itens, o BC tem avaliado que os chamados “riscos fiscais”, que consistem nas dúvidas sobre as contas públicas e a falta de uma estratégia clara do governo para contar a alta da dívida, também tem pressionado a inflação nesse ano.

Sobre o crescimento da economia brasileira em 2021, o ministro Guedes estimou uma alta de 4,3% a 4,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro – abaixo dos 5,3% estimados pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia em setembro. Para o mercado financeiro, a alta será de cerca de 5% em 2021.




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