4 de dezembro de 2021
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Taxa de natalidade em Salvador é a menor desde 1974, diz IBGE

Taxa de natalidade em Salvador é a menor desde 1974, diz IBGE

Salvador registrou o nascimento de 29.731 crianças em 2020, o menor número desde 1974, quando 28.787 bebês nasceram e foram registrados no mesmo ano na cidade. Na época, era comum o chamado registro tardio, realizado mais de um ano após o nascimento. A queda da taxa de natalidade na capital até os moldes de 47 anos atrás é um efeito da pandemia de covid-19, que alterou a composição de várias famílias. Na outra ponta, as mortes por doenças em toda a Bahia crescem 10 vezes mais que a média anual pelo mesmo motivo.

Os números de natalidade e de outros indicadores como óbitos e casamentos, foram divulgados nesta quinta-feira (18) e constam das Estatísticas do Registro Civil 2020, elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir dos dados dos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais.

“Havia muito registro tardio até a década de 1990. Algumas crianças chegaram a ser registradas muitos anos depois de terem nascido”, comenta Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE.

Hoje, a situação está mais rápida. “Enquanto ainda estava no hospital, meu marido pegou meus documentos e foi até o cartório mais próximo. O hospital não estava fazendo por causa da pandemia, mas em dois dias Cecília foi registrada”, diz a jornalista Laura Fernandes, 34, que teve a filha em maio de 2020.

Laura ainda pretende ter mais filhos, embora não saiba quando. O planejamento familiar, possibilidade de homens e mulheres planejarem a chegada dos filhos, é algo que, segundo Viveiros, se tornou mais comum de 10 anos para cá e também tem contribuído para a redução da natalidade. “Essa tendência é uma realidade principalmente após o ano de 2010, tanto no estado como na capital”, explica.

De acordo com o médico de família e sanitarista Washington Luiz Abreu, doutor em Saúde Pública e professor do curso de Medicina da UniFTC e da Ufba, a redução da natalidade, assim como do número de casamentos, é algo que aconteceu em outras pandemias, como a da Gripe Espanhola, no início do Século XX (entre 1918-1920).

“Os registros da época não eram tão precisos, mas os que temos mostram que houve mudanças nestes aspectos da vida das pessoas”, explica.

No caso dos casamentos, em 2020, de acordo com o IBGE, na Bahia o número de uniões caiu 31,1% frente a 2019 e chegou a seu menor patamar em 17 anos (desde 2003). Ao todo, 45.888 casamentos foram formalizados, 20.669 a menos do que no ano anterior. Já em Salvador, o número de casamentos caiu 26,9% em 2020, para 10.656 uniões registradas, 3.922 a menos do que em 2019 e o menor número desde 2006.

Para o historiador Rafael Dantas, com o fim da pandemia, a tendência é que esses números voltem a crescer. “A história nos diz isso. Sempre que tem um período de pandemia ou guerra, em um momento seguinte, geralmente tem um aumento de casamento e natalidade. Mas como as famílias estão tendo cada vez menos filho, talvez o aumento de nascimentos não seja significante, mas o de casamentos será. Pelo meu contato com as igrejas, já vejo filas de espera”, relata.




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