14 de abril de 2026
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Projeto polêmico pode desmembrar a Escola Politécnica da UFBA

Projeto polêmico pode desmembrar a Escola Politécnica da UFBA

A Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que completou 129 anos no último 14 de março, pode perder o status do terceiro mais antigo e um dos maiores centros de ensino de engenharia do Brasil. Atualmente com 180 docentes efetivos, 68 servidores técnico-administrativo e mais de 3 mil estudantes, alocados em 13 cursos de graduação, oito de mestrado, seis de doutorado, além de mais de 40 grupos de pesquisa, a Politécnica pode ser desmembrada em três unidades acadêmicas e uma unidade com o pessoal técnico-administrativo, de acordo com projeto de Reestruturação da Escola Politécnica (PREP), atualmente chamado de “Nova Politécnica”.

Embora a criação de novas unidades na universidade seja uma atribuição exclusiva do Conselho Universitário, os defensores do projeto se amparam na aprovação, por pequena maioria, pela Congregação da unidade. Estas votações foram polêmicas e contestadas, por não atingir maioria absoluta prevista no Regimento da UFBA.

Em documento divulgado na semana passada, 17 dirigentes de departamentos, colegiados de cursos e diretórios acadêmicos, integrantes da Escola Politécnica, dentre os quais estão os chefes de cinco dos sete departamentos e sete dos 13 coordenadores de cursos da unidade, é reivindicado que o projeto de desmembramento da Escola Politécnica seja retornado e rediscutido com transparência, pois, nas três votações internas que trataram desse assunto, o quociente eleitoral não passou de 45%.

”Quatro das cinco melhores e mais tradicionais Escolas de Engenharia no Brasil – USP, UFRJ, UFMG e UFRGS – são organizadas em uma só unidade acadêmica, englobando os cursos de engenharia. A proposta de subdividir a Escola Politécnica não é só um equívoco, mas tem a clara intenção de atender a interesses e vaidades pessoais”, diz o professor Daniel Véras, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia dos Materiais e um dos signatários do documento. Nesse sentido, o Prof. Luiz Rogério de Andrade Lima complementa: “Trata-se da tentativa de criação de feudos por grupos que não conseguem conviver com a diversidade das áreas. Em três anos e meio, a gestão atual nada resolveu das carências atuais da unidade”.

Segundo documento apresentado, 92 docentes efetivos da Escola Politécnica são contra a divisão da unidade e já demostraram isso em diversos abaixo-assinados e no mais recente documento público. “Não só pela mudança acadêmica, mas porque ela afeta a própria gestão da faculdade, inclusive a financeira”, cita o documento.

“Há 10 anos um anexo começou a ser construído e, até hoje, está inacabado, enquanto o prédio atual está com gravíssimos problemas estruturais. Vamos resistir, porque não podemos destruir o maior patrimônio de ensino da engenharia da Bahia e um dos maiores do Brasil, que nasceu em 1897, no Pelourinho”, defende o professor Lafayette Luz.

O projeto de desmembramento da Escola Politécnica está sendo apreciado por uma comissão do Conselho Universitário. “Espera-se que as anomalias apontadas e a impopularidade do projeto junto à comunidade sejam prontamente reconhecidas e ele seja arquivado ou retornado à unidade para rediscussão ampla”, defende o professor Véras.

Foto: Divulgação




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