Aliviada pelo final da paralisação dos rodoviários de Salvador, na manhã desta sexta-feira (22), poucas horas após o início do movimento, graças à mediação do TRT, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) parabenizou a categoria pelas conquistas, a exemplo do reajuste salarial de 4,11% e do aumento no ticket alimentação. Mas, lamentou que a “intransigência da prefeitura e dos empresários tenha tornado a greve inevitável, indiferente aos transtornos causados à população”. Ela lembrou que, além do aumento da tarifa de R$5,60 para R$5,90 logo no início deste ano, Bruno Reis contou com a aprovação, na Câmara Municipal, de um subsídio de R$67 milhões para o sistema de transporte, no final de 2025.
“E agora estamos comprovando que não existe qualquer monitoramento sobre esses subsídios. O Legislativo precisa ter acesso às planilhas do sistema. Mesmo com o subsídio, o prefeito aumentou a tarifa. Então esse recurso foi para onde? Não era para renovar a frota, porque o que temos visto nas ruas são ônibus velhos e muitas linhas retiradas. Se não era para manter o sistema, é preciso debate isso, aprofundar a discussão, é preciso que o Conselho de Transporte volte a funcionar para a gente ter transparência. E que o prefeito não se omita do debate. O Legislativo precisa ter o direito de usar sua prerrogativa de fiscalizador dos serviços públicos”, declarou Aladilce.
*Mulher fora do pernoite*
Feminista, ela destacou entre os avanços a retirada das mulheres do sistema de pernoite. Os rodoviários conquistaram também a reposição inflacionária, manutenção das cláusulas do dissídio anterior e outros avanços. Em contato com o Sindicato dos Rodoviários para acompanhar o desfecho do movimento, ela concluiu que a prefeitura “não teve sensibilidade para intermediar a greve, apoiando os empresários que radicalizaram durante toda a negociação, propondo a retirada de direitos da categoria e só dar 2% de reajuste”.
O prefeito, como frisou Aladilce, tem a responsabilidade principal de manter o serviço de transporte funcionando, por ser uma concessão pública. “A prefeitura é responsável pela regularidade, pela normalidade do sistema. E nós não vimos esse acompanhamento, sequer uma fala do prefeito, nem a tentativa de mediação nesse processo, que foi radicalizado”, comentou.
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