9 de julho de 2020
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Projeto social de brasileiro ensina surfe para crianças em Angola

Projeto social de brasileiro ensina surfe para crianças em Angola

o cruzar o Atlântico para ir morar em Angola, Telmo Portes Junior, não imaginou que seria o responsável na mudança no rumo de centenas de vidas. Ao chegar na província de Luanda, ele criou a Kionda Surf School Angola, que oferece aulas gratuitas para as crianças da comunidade local, e ainda profissionalizou alguns moradores de lá para que pudessem se tornar professores do esporte.

Telmo saiu de Mogi das Cruzes, na grande São Paulo, em 2009 com o propósito de trabalhar. Depois de cinco anos morando em Angola, o educador físico notou que a maré estava a favor da comunidade e resolveu ajudá-la. “Quando eu cheguei, eu vi que tinha uma comunidade que praticava surf, mas era muito pequena. Apesar disso, eu via um grande potencial, tanto nas pessoas, quanto nas praias lindas, inexploradas e com boas ondas.”

Apesar de toda a miséria que encontrou, além da falta de esgoto e água encanada, com boa vontade, nasceu a escola de surf na comunidade de Cabo Ledo, que fica na província de Luanda. O primeiro passo foi capacitar os professores que dariam aulas para as crianças.

Na primeira turma do curso, três professores se formaram. O curso teve aulas teóricas e práticas e, no final, todos os professores receberam certificado. Com os professores já capacitados, foi possível continuar o projeto de Telmo: oferecer aulas gratuitas para as crianças da comunidade.

Edvânio Galáctico, de 21 anos, é um dos professores formados na primeira turma. Ele se tornou um dos principais atletas da equipe e também assumiu a coordenação do projeto. “Eu praticava surf por meio de alguns amigos, mas pedia a prancha emprestada porque não tinha. Quando eu conheci o Telmo, mudou a minha vida. Agora eu sou um grande professor de surf, coisa que eu nunca sonhei vida.”

Para custear as despesas com materiais, uniformes e o salário dos professores, por exemplo, os alunos com melhores condições financeiras (em sua maioria, estrangeiros) pagam a mensalidade do curso. Além disso, a escola de surf também recebe alguns patrocínios. “O projeto já surgiu pensando nas crianças, por isso, para quem é da comunidade, é gratuito”, comenta Telmo.

Em dia de aula, meninos e meninas são vistos na praia com as camisetas do projeto e carregando pranchas de surf pelas areias. Ao longo de três anos, mais de 2,5 mil crianças já foram beneficiadas.

Os pequenos aprendem ainda em terra firme, os movimentos que devem ser executados no mar e, dentro da água, dão as primeiras remadas em busca das ondas. Além da desenvoltura das crianças, o que chama a atenção também é o colorido dos adereços dos cabelos das meninas que aprenderam a surfar.

“A escola mudou a minha vida. Eu só agradeço ao Telmo e a escola por tudo”, conta Cessilha Quessongo, de 11 anos, também conhecida como Frausina pelos colegas.

Assim como para se manter de pé, em cima de uma prancha, é necessário equilíbrio, para continuar no projeto, os alunos precisam ter boas notas na escola. Os olhos atentos dos professores também miram o comportamento das crianças com a família em casa, já que respeitar os mais velhos é outra regra para permanecer no curso.

Em oficinas e encontros, os professores e voluntários também ensinam às crianças valores, como a importância de se trabalhar em equipe e manter a praia limpa.

O projeto deu tão certo que, em 2017, Telmo fundou uma filial da Kionda em Bertioga, litoral de São Paulo. Aqui no Brasil, mais de mil alunos já foram atendidos e o projeto recebeu convites para atuar em Portugal.

“A transformação do ser humano pode vir através do esporte e do contato com a natureza”, diz Telmo.

Foto: Divulgação




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