19 de setembro de 2019
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Salvador vai sediar o Simpósio Nacional de Reprodução Humana

Salvador vai sediar o Simpósio Nacional de Reprodução Humana

Como o ginecologista pode ajudar o casal infértil? Falência ovariana precoce; miomas na mulher infértil; diagnóstico genético pré-implantacional; congelamento de óvulos para preservação da fertilidade; aborto espontâneo recorrente; reposição hormonal no climatério e tratamento cirúrgico para a endometriose. Esses são alguns dos importantes temas que serão abordados no XVIII Simpósio Nacional de Reprodução Humana, promovido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e pela Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia (Sogiba), nos dias 20 e 21 de setembro, na sede da ABM – Associação Bahiana de Medicina, em Ondina.

O Simpósio, que tem como presidente o ginecologista baiano e especialista em Reprodução Humana, Joaquim Lopes, vai reunir especialistas de Brasil e do exterior para abordar temas importantes da área. Dentre os conferencistas convidados, os médicos Carlos Tantini (Itália), Vinicius Medina Lopes (DF), Nilka Donadio (SP) e Paulo Gallo (RJ). Informações e inscrições no site http://www.abmeventos.org.br.

Congelamento de óvulos – Nos dias atuais, muitas mulheres têm seu primeiro filho após os trinta anos. A mulher moderna tem cada dia mais adiado a maternidade para investir na sua formação e carreira profissional, buscar estabilidade financeira antes de ter filhos ou até mesmo por ainda não ter encontrado o parceiro ideal. O grande problema é que quando muitas mulheres resolvem ter filhos a fertilidade delas já entrou em declínio já que a idade é um dos fatores naturais que mais afetam a capacidade reprodutora feminina. O congelamento de óvulos possibilita que as mulheres adiem a gestação e ainda que engravidem utilizando os próprios gametas até mesmo depois da menopausa.

Para preservar a fertilidade feminina, a técnica de vitrificação, considerada eficaz e segura, é uma das que apresenta os melhores resultados. O método de vitrifcação permite o ultrarresfriamento dos óvulos em baixíssima temperatura (-196ºC) e de forma muito rápida, preservando a sua qualidade no ato do descongelamento ou desvitrificação para fertilização em seguida. Considerado um método mais avançado de criopreservação, a vitrificação proporciona taxas de gestação altas, uma vez que o procedimento conserva as características, a idade e a qualidade dos gametas femininos. Durante o processo de congelamento, os óvulos são desidratados e tratados com substâncias crioprotetoras antes de serem congelados.

A técnica também é indicada para mulheres submetidas à quimio ou radioterapia para tratamento de determinados tipos de câncer, pois esses tratamentos podem comprometer sua fertilidade por diminuição importante da quantidade de óvulos.

Falência ovariana – Também conhecida insuficiência ovariana primária ou “menopausa precoce”, a falência ovariana precoce acontece quando os ovários de mulheres com menos de 40 anos de idade perdem sua função, deixando de produzir hormônios como estrogênio, progesterona e testosterona e de liberar óvulos. A falência ovariana pode levar a mulher precocemente à infertilidade. A falência ovariana nem sempre se instala de modo abrupto. O diagnóstico precoce e o tratamento em momento oportuno – muitas vezes com a técnica de reprodução assistida – podem permitir a mulher engravidar com segurança. “Os ovários nem sempre declinam a produção de hormônios e liberação de óvulos de modo repentino, assim como os ciclos menstruais podem ficar irregulares, mas ainda permitindo obter-se óvulos saudáveis.”, explica o especialista Joaquim Lopes.

Casal infértil – Cerca de 15 % da população brasileira em idade fértil é afetada pela infertilidade conjugal, caracterizada pela ausência de gravidez em um casal com vida sexual ativa e que não usa medidas anticonceptivas por um período de um ou mais anos. Cerca de 40% dos casos de infertilidade de um casal são atribuídos à mulher, 40 % aos homens e em 20% dos casos o problema é resultado de uma combinação de fatores em ambos os parceiros ou de causas inexplicadas.

Várias são as causas mais comuns que podem levar à infertilidade nas mulheres, dentre elas as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), os distúrbios hormonais, obstrução nas trompas, problemas de malformação ou tumores no útero, endometriose, miomas e ovários policísticos.

Nos homens, um dos principais fatores de infertilidade é a varicocele, que consiste na dilatação anormal das veias que drenam o sangue na região dos testículos. Há também causas genéticas, homens que não têm espermatozoides (azoospermia) ou que apresentam uma concentração inferior a quinze milhões de espermatozoides por mililitro de sêmen (oligozoospermia). As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), o uso de cigarro e o consumo de álcool e anabolizantes também podem comprometer a fertilidade.

É importante saber que uma mulher com menos de 30 anos pode esperar até dois anos para que aconteça a gravidez. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses. Após os 40 anos se a mulher deseja engravidar deve, de imediato, iniciar a investigação da sua capacidade fértil.

Outros fatores também podem influenciar a saúde reprodutiva como o estresse, tabagismo, obesidade, poluição, consumo de álcool e de drogas, uso de alguns medicamentos, problemas da tireoide e a própria ansiedade.

Miomas – A relação entre miomas uterinos e fertilidade também é um dos temas da programação cientifica do Simpósio. Estima-se que cerca 50% das mulheres do mundo em idade reprodutiva – especialmente entre 30 e 48 anos de idade – são portadoras de um ou mais miomas. De caráter benigno, trata-se de um tumor sólido de tecido muscular que aparece no útero e nem sempre exige um tratamento, mas a depender da sua localização e do seu tamanho pode comprometer a fertilidade da mulher.

De acordo com Joaquim Lopes, a maioria dos miomas não interfere na fertilidade, mas é comum encontrá-los em pacientes que não conseguem engravidar ou que têm abortamentos de repetição. “Há alguns tipos de miomas que podem diminuir a chance de a mulher engravidar, impedir a gestação ou, mais frequentemente, causar abortamento ou parto prematuro. Quando o mioma instala-se na cavidade endometrial ou quando ele causa a compressão das trompas é possível que ele prejudique a fertilidade”, explica o ginecologista e especialista em Reprodução Humana.

Aborto espontâneo – De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, entre 15% e 25% das mulheres em idade fértil vão ter pelo menos uma perda gestacional e 5% delas terão duas. Cinquenta por cento das perdas não têm causas definidas. No Brasil, estima-se que por ano um milhão de casais percam seus bebês por conta de abortamentos espontâneos. O aborto espontâneo é caracterizado por uma gravidez interrompida por causas naturais antes de completar vinte semanas de gestação. O abortamento espontâneo recorrente, também conhecido como abortamento habitual ou de repetição, acontece quando há duas ou mais perdas gestacionais espontâneas e consecutivas antes da vigésima semana de gravidez. Além de grande sofrimento, o aborto recorrente causa constrangimento e impacto emocional para as mães, seus parceiros e familiares e, muitas vezes, efeitos devastadores na vida do casal.

Dor abdominal intensa, febre, sangramento vaginal e calafrios são alguns dos sintomas que podem sinalizar a perda do bebê. “Ao sentir qualquer um desses sintomas, a gestante deve procurar imediatamente seu médico”, alerta Joaquim Lopes.

Em boa parte dos casos, as perdas gestacionais sucessivas são multifatoriais, mas em 50% dos casais não é possível definir as causas. Infecções, obesidade, alterações imunológicas, malformações uterinas e outros problemas anatômicos, distúrbios hormonais, fatores genéticos (anomalias cromossômicas no casal), doenças crônicas da mãe, como diabetes não controlada e hipertensão, e uso de drogas podem ser responsáveis pelo abortamento recorrente.

Foto: Divulgação




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