1 de outubro de 2020
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Políticos angolanos temiam delações da Lava Jato, diz revista

Políticos angolanos temiam delações da Lava Jato, diz revista

Conversas interceptadas entre dois ex-funcionários do BAI (Banco Angolano de Investimentos) e o ex-vice-presidente angolano, Manuel Vicente, mostram a preocupação deles com o avanço da Operação Lava Jato.

A informação foi divulgada pela revista Crusoé, que obteve mensagens interceptadas de WhatsApp.

Uma das conversas citadas é entre José Carlos de Castro Paiva, um ex-funcionário da petrolífera estatal Sonangol e do BAI, e da então presidente da comissão executiva do banco, Ana Paula Grey.

Segundo a revista, Ana Paula afirmou que torcia para que ex-autoridades angolanas não fossem envolvidas nas delações de ex-diretores da Petrobras, como Nestor Cerveró. Ela chega a classificar as delações como “um pouco assustadoras”.

O temor do outro lado do Atlântico tinha fundamento. Naquela época, Cerveró citou Manuel Vicente, que também fora presidente do Conselho de Administração da Sonangol, em sua delação.

“Manuel Vicente foi explícito em afirmar que desses US$ 300 milhões pagos pela Petrobras à Sonangol, companhia estatal de petróleo de Angola, retornaram ao Brasil como propina para financiamento da campanha presidencial do PT valores entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões”, diz um trecho da delação do ex-diretor da Petrobras.

A campanha que teria recebido o dinheiro de propina do contrato entre a Petrobras e a Sonangol foi a de reeleição de Lula, em 2006.

Segundo a publicação, as conversas expõem a proximidade entre Castro Paiva e o ex-ditador de Angola José Eduardo dos Santos.

Castro Paiva, considerado braço-direito de Manuel Vicente, teria lavado parte do dinheiro desviado de empresas angolanas durante o governo de Santos por meio de investimentos em imóveis de luxo no Brasil, mais precisamente no estado da Paraíba.

Ele também ajudou a filha do ex-ditador, Isabel dos Santos, a esconder dinheiro desviado da petrolífera estatal. Ela, a mulher mais rica da África (com fortuna estimada em US$ 3 bilhões), e o marido tiveram os bens congelados no fim do ano passado.

Eles são acusados de negócios fraudulentos envolvendo a Sonangol que resultaram em um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão à companhia.




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