17 de fevereiro de 2020
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Terreiro do Gantois vai ganhar centro comunitário com nome de Mãe Carmen

Terreiro do Gantois vai ganhar centro comunitário com nome de Mãe Carmen

O Terreiro do Gantois, uma das casas mais tradicionais do candomblé, fundada em 1849, no bairro da Federação, em Salvador, vai ganhar um centro comunitário dentro de suas instalações com atividades culturais e cursos. A área, que será construída pela Prefeitura, foi projetada pelos arquitetos da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) a pedido das lideranças do terreiro, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2002. A nova unidade terá o nome da atual ialorixá do santuário, Mãe Carmen do Gantois.

O objetivo é ter um local específico para os projetos sociais que já ocorrem na casa e ampliar o atendimento à população da Federação. A ordem de serviço para construção do equipamento será assinada pelo prefeito ACM Neto ainda este mês.

Em quatro meses, o centro comunitário será implantado na área lateral do Terreiro do Gantois para atender a população da comunidade do entorno. Serão investidos R$ 713.261,33, provenientes de recursos municipais. As obras serão coordenadas pela Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop). Apesar da intervenção ser da prefeitura, a gestão do local será exclusivamente dos membros do terreiro. A ideia da FMLF é preservar a área tombada e construir o centro no terreno com desnível.

“No ‘primeiro andar’ terá um salão para palestras com capacidade para 50 pessoas, além de uma sala para cursos e um consultório médico. Divisórias removíveis serão instaladas no local, para que o salão possa ser ampliado em eventuais necessidades. Em um segundo local terá uma sala para percussão e para leitura, com uma pequena arquibancada”, explicou Tânia Scofield, presidente da fundação.

A importância do trabalho social para o Terreiro do Gantois está estampada na descrição do trabalho da casa. “É preciso sempre lançar mão de ações que resultem no aproveitamento da comunidade, para evitar o agravamento do risco social que assola nossa Cidade. O Gantois é uma casa-mãe, um templo que preserva a herança ancestral e se preocupa com a humanização das condições”, diz a descrição do Ilé Iyá Omi Àse Iyamasé em site institucional.

O psicólogo Danilo Pinto, 31 anos, Ogan no terreiro, explica que o local já realiza diversos trabalhos sociais em suas instalações, mas que não existia um local específico para que eles fossem realizados. Ainda segundo ele, a implantação de um centro comunitário irá possibilitar uma expansão no alcance dos serviços prestados pelo terreiro.

Segundo Danilo, 70% das ações do terreiro são voltadas para a comunidade. Dentre elas, estão um grupo de capoeira, a distribuição de 300 cestas básicas por mês e o projeto Rum Alagbê, que ensina a musicalidade do candomblé para pessoas de todas as idades – e sexos.

O diferencial do Rum Alagbê é justamente esse: trazer o ensinamento da musicalidade do candomblé, feita exclusivamente por homens na religiosidade, para mulheres. As aulas, criadas em 2001. O projeto é comandado pelo alagbê, músico, mestre em etnomusicologia pela Ufba e professor de percussão popular da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Iuri Passos, 38, que explica que um dos marcos do projeto é o ensinamento dos atabaques para mulheres.

História – O Terreiro do Gantois é considerado área de proteção cultural e paisagística pela Prefeitura de Salvador (desde 1985) e é tombado pelo Iphan, a partir de 2002. O nome oficial é lé Iyá Omi Àse Iyamasé, mas é conhecido popularmente como Gantois. Fundado em 1849 pela africana Maria Júlia da Conceição Nazareth, o terreiro constitui-se em um espaço sagrado de expressão religiosa que mantém os costumes e os legados milenares dos povos Iorubá (Abeokutá).

O terreiro segue uma tradição matriarcal com base na estrutura familiar de manutenção dos laços parentais. Nele, as dirigentes são sempre do sexo feminino obedecendo aos critérios de hereditariedade e consanguineidade. O nome Gantois deve-se ao antigo proprietário do terreno, o traficante de escravos belga Édouard Gantois, que arrendou as terras a Maria Júlia da Conceição Nazareth.

Imagem: Divulgação/Secom-PMS




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